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Dezembro

 

"Geoparque Seridó lança candidatura oficial para o Programa Mundial de Geoparques da Unesco"

 

05.dez.2019 De: https://ufrn.br/imprensa/reportagens-e-saberes/31837/um-novo-geoparque-no-brasil

 

Uma área pouco explorada e cheia de mistérios. Assim é o Seridó do Rio Grande do Norte, o qual, apesar de ser bastante conhecido por sua gente, queijo e carne de sol, esconde riquezas que estão além do olho comum. A terra da scheelita carrega em suas costas marcas, imagens e memórias que a constituem um dos lugares únicos no planeta. No coração do Seridó Oriental, uma porção de terra que reúne seis municípios e milhões de anos de história pode se tornar o mais novo geoparque do Brasil e um dos poucos, na América Latina, reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

 

Estabelecido em uma área de 2.800 quilômetros quadrados, o Geoparque Seridó abraça os municípios de Cerro Corá, Lagoa Nova, Currais Novos, Acari, Carnaúba dos Dantas e Parelhas. Cada um desses lugares possui características muito específicas, culturas e comportamentos significativos para constituição dessa região maior, que é o Seridó potiguar. Questões essas que também importam à Unesco na hora do reconhecimento, o que pode acontecer em setembro do ano que vem.

 

Maioria dos municípios onde se localizam o Geoparque se situa no seridó oriental – Flávia

 

Segundo Marcos Nascimento, professor de Geologia da UFRN e coordenador científico do projeto que defende a candidatura desse território, esse trabalho se baseia na tríade da conservação, educação e turismo. “Geoparques são áreas geográficas únicas e unificadas, nas quais há locais e paisagens de significado geológico internacional, sendo gerados com um conceito holístico de proteção, educação e desenvolvimento sustentável”, explica.

 

O Geoparque Seridó tem ainda 21 geossítios que imprimem, cada um deles, traços bastante singulares, são eles Serra Verde, Cruzeiro de Cerro Corá, Nascente do Rio Potengi, Vale Vulcânico, Mirante de Santa Rita, Tanque dos Poscianos, Lagoa do Santo, Pico do Totoró, Mina Brejuí, Cânions dos Apertados, Açude Gargalheiras, Poço do Arroz, Cruzeiro de Acari, Morro do Cruzeiro, Marmitas do Rio Carnaúba, Serra da Rajada, Monte do Galo, Xiquexique, Cachoeira dos Fundões, Açude Boqueirão e Mirador.

 

Pinturas rupestres e áreas de povos originários compõem o patrimônio imaterial do parque – Foto: Cícero Oliveira

 

Os nomes já permitem depreender as formações a que se referem. Lugares tão interessantes e distintos que possibilitam olhares muito diferentes. Água, serras, formações rochosas, rochas vulcânicas e áreas de exploração de minérios. É o caso da Brejuí, a maior mina de scheelita da América do Sul, localizada no município de Currais Novos, que tem sido um dos principais pontos de atração de turistas da região. Visitada frequentemente, já atraiu mais de 20 mil pessoas nos últimos anos.

 

O Castelo Di Bivar é uma das construções importantes na área do Geoparque – Foto: Cícero Oliveir
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Unesco observa tradições e cultura também em sua escolha – Foto: Cícero Oliveira

 

A scheelita é o mineral do qual se extrai o tungstênio, não só utilizado para a produção de filamentos de lâmpadas incandescentes, mas também utilizado na indústria eletrônica, petrolífera e da construção. Seu apogeu aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil forneceu toneladas de minérios às indústrias do aço. Isso fez nascer diversos lugares de exploração, além de Brejuí, como em Barra Verde e Acauã, assim como outros inúmeros garimpos menores dessa região.

 

Uma das áreas mais áridas do mundo, o Seridó, que tem temperaturas acima de 27 graus, podendo chegar a 40 graus, é construída pela caatinga, que possui flora e fauna exclusivamente brasileiras. Inclusive, é no Geoparque Seridó onde nasce o rio mais importante do Rio Grande do Norte, pelo menos do ponto de vista histórico. Das entranhas do município de Cerro Corá surge o Rio Potengi, primeiro chamado de Rio Grande, que originou o nome do estado.

 

Tudo isso levou Marcos Nascimento e equipe a investigarem a região, não só na possibilidade de criar um ambiente de popularização do conhecimento geológico, por meio da educação, mas também histórico e cultural, buscando características potenciais, econômicas e sociais. “Passamos esses últimos anos trabalhando efetivamente no território, promovendo divulgação do conhecimento geológico e de conservação e realizando várias ações voltadas para educação e também para o desenvolvimento do turismo. Isso também favorece a divulgação do território, não só a nível regional, mas nacional e internacional”, relata Marcos.

 

Em novembro, o Geoparque Seridó lançou a candidatura oficial para o Programa Mundial de Geoparques da Unesco, que já confirmou o recebimento de toda a documentação solicitada. A expectativa agora se volta para 2020, quando saberemos se o RN entra para o seleto grupo de geoparques no mundo.

 

 

Projeto de extensão

Durante a chuva, imagem da região do Geoparque muda de cor – Foto: Cícero Oliveira

O projeto de extensão da UFRN Geoparque Seridó estuda a área e reúne professores, alunos e a comunidade externa de moradores dos municípios, emparelhados em prol da região. Desde abril de 2010, em uma parceria da Universidade e o Serviço Geológico do Brasil, a área começou a ser mapeada com a finalidade de buscar um patrimônio geológico único no mundo. De lá para cá, os seis municípios receberam professores e alunos de diversos cursos (Geologia, Geografia e Turismo, por exemplo) com vontade de desbravar esse território inexplorado.

 

Nos trabalhos de campo, notou-se que o patrimônio do Geoparque tem milhões e até bilhões de anos. Há formações rochosas com dois bilhões de anos e paisagens com relevos de mais de 20 milhões de anos.

 

Além dessas descobertas, o grupo também realizou palestras nas localidades, explicando à população a funcionalidade de um geoparque e a importância que tem esse território seridoense. Afinal, isso é extensão: levar o conhecimento desenvolvido na universidade para a comunidade, quebrando o argumento que a universidade fica apenas em si mesma.

 

Marcos conta que, após a descoberta, os gestores públicos enxergaram o projeto como uma forma de promover, e também desenvolver, o território de uma forma sustentável. Atualmente, está sendo criado o Consórcio Público Intermunicipal Geoparque Seridó, uma ligação entre os municípios, a UFRN e o Governo do Estado. O RN acabou se unindo a fim de levar o projeto para frente e conseguir o destaque mundial.

 

 

Geoparque Seridó em suas mãos

Aplicativo Geoparque Seridó, que é o primeiro GeoApp dedicado a Geoparques no Brasil

Para quem ficou curioso e quer ver um pouco mais do Geoparque, pode acessar no Google Play o aplicativo Geoparque Seridó, que é o primeiro GeoApp dedicado a geoparques no Brasil. A finalidade é levar o conhecimento da geodiversidade e do patrimônio geológico dos 21 geossítios das seis cidades. Nele, é possível encontrar o mapeamento de cada geossítio, com sua localização, foto e descrição geológica, contando se há, entre outros itens, algum mineral ou rocha de destaque, pinturas rupestres e sítio arqueológico.

 

Com o aplicativo na palma da mão, essa é uma forma de as pessoas conhecerem a localidade, podendo, desse modo, aumentar a possibilidade do turismo — uma parte da tríade do conceito dos geoparques — para a localidade.

 

Para saber mais sobre o Geoparque, acesse o siteInstagramFacebookTwitter e também o canal no YouTube.

 

 


 

 

Geoparque Cânions do Sul envia dossiê à Unesco

 

01.dez.2019 De: https://canionsdosul.org/noticias/geoparque-canions-do-sul-envia-dossie-a-unesco/

 

Um momento histórico e mais um grande passo na caminhada rumo ao reconhecimento como Geoparque Mundial da Unesco: foi realizada nesta sexta-feira, 29, a assinatura do dossiê do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul. A cerimônia aconteceu no auditório da Prefeitura de Praia Grande (SC) e contou com a participação de autoridades, técnicos envolvidos com o projeto e da comunidade da região.

O Geoparque é uma iniciativa formada por sete municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, trabalhando juntos com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento econômico da região, por meio da valorização do patrimônio natural e cultural e do turismo sustentável. A entrega do dossiê representa uma das principais etapas no processo de avaliação para verificar se o território pode ser realmente considerado um Geoparque conforme os critérios do programa de Geoparques da Unesco que valoriza territórios formados por sítios e paisagens de reconhecida relevância para a compreensão sobre a história geológica da Terra.

O dossiê contém uma série de informações detalhadas sobre a geologia da região, a estrutura de gestão e os trabalhos que vem sendo desenvolvidos nas áreas de educação e promoção do turismo sustentável. Os documentos foram formalmente enviados hoje mesmo à sede da Unesco, em Paris, através do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). No mundo, existem atualmente 147 Geoparques em 41 paises. No Brasil, temos um: o Geopark Araripe, no Ceará.

Na cerimônia, o prefeito Valdionir Rocha, de Morro Grande (SC), presidente do Consórcio Intermunicipal Caminhos dos Cânions do Sul, destacou a importância do projeto para o desenvolvimento da região, agradeceu a todos os parceiros envolvidos, aos educadores engajados, às lideranças políticas que ajudaram com a destinação de recursos para a iniciativa e fez um reconhecimento especial à dedicação da equipe técnica.

A mesa de autoridades do evento também foi composta pelos prefeitos de Cambará do Sul (RS), Shamberlaen José Silvestre; de Mampituba (RS), Dirceu Selau; de Praia Grande (SC), Henrique Maciel; de Timbé do Sul (SC), Roberto Biava; de Jacinto Machado (SC), João Batista Mezzari; e pelo secretário de Turismo de Torres (RS), Fernando Nery, representando o prefeito Carlos Souza. Também fizeram parte da mesa e reafirmaram seu apoio à iniciativa, os deputados federais Lucas Redecker (RS) e Geovania de Sá (SC); a presidente da Agência de Desenvolvimento do Turismo de Santa Catarina (Santur), Flavia Didomenico; e o diretor do ICMBio, Fábio Veloso. Durante a cerimônia, foram realizadas ainda homenagens à grande contribuição das seguintes instituições envolvidas na criação do Projeto Geoparque: a Agência de Desenvolvimento Regional de Santa Catarina (ADR), representanda por Sung Chen Lin; à Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc), representada pela diretora Helen Becker, e à CPRM – Serviço Geológico do Brasil, representada pela superintendente Lucy Chemale.

O próximo passo do processo de aplicação como Geoparque Mundial é a visita de dois avaliadores da Unesco para conhecer o território, que deve acontecer entre os meses de maio e agosto de 2020.
 

                         

 

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